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15 de junho de 2011

Eclípse Lunar

Essa é a imagem que veremos hoje à noite.

---Não poderia deixar de falar sobre esse fenômeno que irá acontecer hoje no início da noite. Não poderia deixar de escrever sobre a sombra. Tema que veio ao meu encontro tantas vezes esse mês. A sombra, tanto falamos sobre olhar nossa sombra, reconhecer nosso lado sombra. E hoje termos a oportunidade de vermos a sombra do nosso planeta, da nossa casa.
---É! a nossa casa tem sua sombra...
---E quem irá nos revelar a sombra do nosso lar é a Lua, esse integrante do Universo que tanto me encanta. Escrevendo agora, percebi que é preciso do outro, de outro elemento para que possamos refletir a nossa sombra e enxergá-la. Nossa!! Não havia me dado conta disso!! De que o outro apenas nos reflete, e nos reflete porque somos iluminados. Cada vez mais estou fascinada pela natureza, fascinada pela clareza de que somos muito mais parecido e idêntico a tudo que está na natureza do que imaginamos. Que basta observarmos ao movimento natural da natureza que aprendemos sobre nós mesmos. Porque as forças ou leis (ou como desejem chamar) são as mesmas a que estamos submetidos.
---Lua que tanto exerce influência sobre mim. Não sei ao certo o que tanto me atrai, não sei ao certo, nem mesmo isso. Mas, como sou feita mais de incertezas do que de certezas. Não me importo, pois sei que estou falando da minha natureza. E isso me basta!!!
---É um fenômeno celeste que ocorre quando a Lua penetra totalmente ou parcialmente no cone de sombra projectado pela Terra, em geral sendo visível a olho nú. Isto ocorre sempre que o Sol, a Terra e a Lua se encontram próximos ou em perfeito alinhamento, estando a Terra no meio destes outros dois corpos. O eclipse lunar ocorre sempre durante a fase da Lua cheia pois é necessário que ela se encontre atrás da Terra, do ponto de vista de um observador no Sol.
---Ao contrário dos eclipses solares que são visíveis apenas em pequenas áreas da Terra, os eclipses lunares podem ser vistos em qualquer ponto da Terra, desde que, nesse sítio, seja de noite, no momento em que ocorre o eclipse.
---A Lua não desaparece completamente na sombra da Terra mesmo durante um eclipse total, podendo assumir uma tonalidade avermelhada ou alaranjada. Isto é consequência dos fenómenos de refracção e de dispersão da luz do Sol na atmosfera da Terra, que desvia apenas certos comprimentos de onda para dentro da região da sombra.
---Este fenómeno também é o responsável pela cor avermelhada que o céu adquire durante o poente e o nascente. De fato se nós observássemos o eclipse a partir da Lua, poderíamos observar o Sol, desaparecento por trás do planeta Terra.

19 de julho de 2010

Que venha essa mulher


---Sinto como se dentro de mim existisse uma mulher querendo se expressar no mundo.
---Uma mulher que embora eu não saiba a sua forma ou o seu pensamento é uma mulher ímpar, bonita, forte e frágil. Uma mulher pensante que tem as suas verdades porque teve a coragem de buscar as suas próprias verdades, verdades que ela mesma sabe que no fundo são mutantes, são ilusões.
---Uma mulher com formas definidas como corpo de cobra, pés de árvore, coração de urso, olhos de águia, ancas de égua, canto de baleia, boca de lobo, ventre de fruto e espírito de unicórnio.
---Uma mulher com curvas delicadas e explicitas. Quadris torneados em tornos de barro, barriga macia preenchida com a mais pura fibra de algodão, costas sinuosas, fluidas como curva de rio, colo com leves ossos que são capazes de voar e serem vistos... do alto.
---Não tenho desejo de ter o corpo perfeito. Desses tais e iguais de ditadura – modelo de corpo escravo e imposto.
---Quero ter o meu corpo! o meu próprio corpo! e que por ser meu de legítimo direito tem o meu volume certo, gordura suficiente para deixá-lo apetitoso e estético.
---E aviso! Estética para mim é algo que eu mesmo faço, eu mesmo componho, com tudo que os fluidos da vida me traz, com cicatrizes que realçam, que desafiam quem as vê, a saber, saber de onde vêm, como as conquistei, coma as curei. Quero todas as minhas cicatrizes expostas e desnudas. Quero olhar para elas, sorrir para elas, sorrir alto, escandalosamente alto, de boca aberta, com todos os meus dentes relaxados.
---Não quero um corpo em excesso, como quando guardamos algo desnecessariamente para um futuro que nem sabemos se vai chegar. Quero um corpo do agora, porque só o corpo que é vivido, no agora, será capaz de encarar tudo que irá surgir irremediavelmente no futuro. Só um corpo que existe agora na sua plenitude terá sabedoria de lidar com as limitações que terá irremediavelmente no futuro.
---Hoje tenho um corpo de excessos: excesso de gordura, de sentimentos do passado, de portas fechadas, chaves escondidas, que não está sabendo fazer diferente do que sempre fez.
---Confesso: tenho medo e loucura (medo da loucura), medo que essa mulher selvagem seja louca de Vida. Tenho medo do excesso de vida que essa mulher tem.
Sei que tenho uma mistura de medo e fascínio por essa mulher interna, essa mulher selvagem, indomada, livre, dona do seu corpo, do seu desejo, do seu impulso. Essa mulher loba que uiva na lua cheia, essa mulher baleia que tem a imensidão do oceano aos seus pés. Essa mulher sagrada que pari, que nutre, que sangra. A mulher que existe em toda mulher e que os tempos, teimam, em deixá-la trancafiada. Que xingam! que chamam de mundana. Que afirmam ter pacto com demônios. Simplesmente pelo fato de SER... livre, indomesticável, indomável, liberta, libertária, dona do seu próprio destino, dona do seu próprio querer.
---Que sabe ter a ousadia de perceber os vazios da vida e deixar-se penetrar, e nesse lugar aproveitar, desfrutar do viver.

Essa é a mulher que sou.
Eu aceito essa mulher que sou.
Essa é a mulher que anseio, que um dia.
Ah! um dia o mundo verá.